Filho da Patroa da Minha Mãe – O Vencedor – Capítulo 1


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Fazia aí um mês que eu não conseguia dormir direito. Um mês desde que eu tinha ganho dele apenas o “Oi” frio e duro que me lançou quando corri pra ajudá-lo com as malas que acabei carregando sozinho. Um mês acordado, fantasiando que ele ia precisar gozar em algum momento e ia lembrar que podia me usar pra isso como fez na última vez em que tinha vindo nas férias.

Maurício voltou e eu não sei o que me tomou. De primeiro, alegria que eu mal podia conter, todo sorrisos e olhos brilhantes e então o desespero, tristeza, desilusão, ele não tornou a falar comigo, eu não o via, não me atrevia a me forçar aos olhos dele.

Ele saía todas as noites, quase. Voltava de madrugada bêbado e só acordava já depois do almoço. E exatamente na noite em que fazia um mês do retorno dele, me vi subindo as escadas para os quartos da família.

Quando ouvi o motor do carro recém comprado, eu já tinha assumido a minha posição de espera incansável: a luz acesa pra me mostrar acordado e a porta entre aberta pra encorajá-lo.

Esperei. Atento a cada som. O coração sobressaltado com as possibilidades que minha mente insistia em avivar. Meu desejo me fez ter quase certeza de ouví-lo vindo em direção ao meu quarto, mas o som que sucedeu o da porta se fechando foi o dos passos de Maurício subindo a escada pra longe de mim.

Mais uma vez ia ter de agonizar a presença dele tão próxima, mas distante, como se nem tivesse retornado. Ele estava ali, no andar de cima, tão perto que eu não podia suportar não tê-lo.

Logo fez-se silêncio e imaginei, que, bêbado, tivesse se jogado na cama para dormir.
Não sei o que me deu, de onde tirei aquela força, mas me levantei, apaguei minha luz e sai do meu quarto certo de ir até o dele. O que diria para justificar minha estranha aparição no meio da noite eu ainda não sabia. Só sabia que tinha de ir, como que sendo meramente guiado pelo meu corpo, cego no meu desejo, subi as escadas e quando dei por mim estava diante da porta aberta do quarto de Maurício e, antes que pudesse me impedir, entrei.

Ele estava deitado na cama, adormecido, sem camisa; o botão da calça jeans aberto e os tênis ainda nos pés que pendiam pra fora da cama. Ajoelhei-me juntos deles e me permiti aquele álibi pra poder tocá-lo. Desamarrei o cadarço do primeiro pé, meu corpo todo quente, lascívia correndo nas veias ferventando o sangue, tirei-lhe o tênis e depois a meia, encarei o pé de solado úmido, quente, queria senti-lo no rosto e estava a ponto de tocar um no outro quando a voz de Maurício se levantou fria:

"Que que ’cê tá fazendo?" Soltei seu pé num sobressalto.

"Eu só tava tirando seu sapato." Ele me observava. Os olhos frios e firmes grudados em mim; o rosto impassível. "Eu vi que você não chegou muito bem e vim ver se precisava de alguma ajuda, aí você tava dormindo de tênis e eu pensei que seria melhor tirar."

"Eu te pedi alguma coisa?" O olhos dele faíscaram no breve momento que os encontrei antes de virar os meus pro chão. "Daí, ia tirar minha roupa, me dar um banho e me colocar pra dormir?"

"Não. Só ia tirar os tênis."

"E depois?"

"Eu ia voltar pro meu quarto."

"Dessa ideia eu gostei."

Levantei me odiando por parecer tão patético, assim, na frente de Maurício. Virei-me. Sentia o rosto esquentar e tremer de humilhação.

“Ôu!” Sua voz soou e eu parei como se tivesse escutado meu próprio nome. "O outro tênis tá apertando meu pé. Tira ele também."

Voltei a me ajoelhar em frente à cama. Me lembro que tremia. Meu corpo, agora, ardia, parecia em chamas sob os olhos de Maurício. Juntei toda a dignidade que consegui e desfiz o laço e puxei o tênis e, em seguida a meia também. Ele sentia prazer em me humilhar ou só queria mesmo alguém que lhe tirasse o tênis?

"Liga o ar lá." Apontou com a cabeça enquanto flexionava os pés. "Você veio ajudar?"

"Sim."

“Fecha a porta e tira a minha calça.” Obedeci e puxei a calça pelas bainhas e perdi meus olhos nos pelos negros das pernas morenas dele. Ele me teria? Ia prender minha cabeça até que eu sufocasse com seu sêmen de novo? Eu queria que sim.

“Meus pés.” Indicou-os de novo. “Estão doendo. Massagem. Esse é a ajuda que preciso.” Ele nem olhava pra mim.

Não demorei a obedecê-lo. Aliás, era tudo o que eu queria. Pelo menos estava com ele, tocando-o. Comecei a massagear o pé direito, eu não sabia como fazer isso, mas me empenhei, principalmente, para mostrar carinho. Não sei, precisava faze-lo sentir e acho que consegui porque ele largou o pé esquerdo sobre meu ombro, descansando a perna.

O peso sobre mim foi como um presente. Aproveitei o momento para, fingindo surpresa, olhar para o pé no meu ombro de modo que pudesse lhe tragar o cheiro pra dentro das minhas narinas, sem que ele percebesse tamanha bizarrice. Não fedia, mas cheirava a suor de meia limpa. Guardei seu pé esquerdo como quem sustenta um telefone com o ombro e voltei à minha massagem no direito.

Vi Maurício puxar os fones na mesa ao lado e pluga-los ao telefone, demorou-se um tempo com o rosto iluminado e, então, colocou o aparelho de lado, fechando os olhos para ouvir melhor a música. Ele não sentia nenhum prazer em me humilhar, só parecia gostar de ter quem lhe massageasse os pés cansados.

Mas que fosse, pelo menos, ele estava finalmente ali, na minha frente, deitado, usando apenas uma cueca e eu com seus pés em minhas mãos. Queria poder lambe-los, raspar meus dentes neles, cheira-los e chupa-los. Queria senti-los esfregados no meu rosto. Mas não podia. Maurício ia achar muito esquisito.

Eu mesmo coloquei o pé direito sobre meu ombro quando achei que era hora de mudar para o outro pé. Eu ia tê-lo quando terminasse. Eu sabia que ia. Precisava, no entanto, esperar a hora em que ele dissesse que eu terminasse.

“Tá bom.” Ele disse sem tirar os fones dos ouvidos.

Soltei seus pés e ele os levou pra cima, se ajeitando na cama. Eu fiquei do mesmo jeito, ajoelhado e olhando para ele.

“Ok.” Ele levantou o polegar. Eu continuei sem me mexer.

“É pr’eu ir ou…”

“É pra ir. Quero dormir.”

Saí do quarto me sentindo um lixo. Tinha ido lá me humilhar e lhe servir apenas com uma massagem. Tinha ido em busca de migalhas. Desci as escadas com um bolo pesado na garganta, as pernas tremiam e os olhos ardiam. Ainda assim me vi excitado quando me deitei na cama com a angústia apertando o meu peito. Lembrando dos pés, de tocá-los e ter estado tão perto, me estimulei e gozei e desandei a chorar.